Saiba cuidados ao armazenar a ração!



Sobretudo neste início de ano, época de chuvas frequentes, a atenção às condições de armazenamento de rações na fazenda deve ser redobrada. Isso porque um ambiente sem controle de temperatura e umidade pode se tornar ideal para a proliferação de fungos. Esses fungos, explica o médico veterinário Raphael Silva Gomes, produzem micotoxinas, substâncias nocivas que contaminam a ração e que, ingeridas, podem até matar o animal e comprometer a qualidade da carne e do leite produzidos.


"Normalmente, a ração fornecida para bovinos tem prazo de validade de 90 dias e o pecuarista que pode comprar em quantidade estoca. Já os produtores de leite, que costumam ser remunerados mensalmente, compram ração para durar, pelo menos, 30 dias", diz o veterinário, que faz parte do departamento de comercialização de rações da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo). A ração com a marca da cooperativa abastece mercados em São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.


Nem calor, nem frio

A primeira recomendação é a de que o alimento seja colocado em local exclusivo. "O galpão pode servir de depósito para ração, sal mineral e grãos. Não se deve aproveitar o mesmo espaço para guardar outros tipos de insumos", afirma. E, além de coberto, para evitar a incidência direta de sol e proteger da chuva, o local tem que ser arejado e iluminado, conforme o veterinário. "A temperatura interna do galpão deve ser ambiente; nem muito alta, nem muito baixa." Segundo Gomes, não há necessidade de instalar ventiladores no local. "A ventilação natural é suficiente para arejar o ambiente."


Pallets

Outro conselho para preservar a qualidade da ração é nunca empilhar as sacas diretamente no chão, mas a pelo menos 10 a 15 centímetros acima do solo. "Pode-se usar pallets, que são estrados de madeira, para evitar o contato da saca com o solo", sugere.


Também para evitar problemas com umidade, não se deve encostar as pilhas na parede. "Ideal é que haja espaço suficiente para uma pessoa caminhar entre a parede e a pilha de ração. Quanto à altura da pilha, vai depender da dimensão do galpão, sem maiores restrições", diz Gomes, destacando a necessidade de checar se há goteiras no local.


Manter o local limpo também evita prejuízos, afirma o veterinário, já que ajuda a evitar a presença de ratos, cuja urina transmite a leptospirose, doença que ataca rebanhos bovinos. "Depois dos fungos e suas micotoxinas, os roedores são o principal problema no armazenamento de ração, porque o produtor não tem como saber se o alimento está ou não contaminado pela urina do rato." Nesse caso, a recomendação do veterinário da Comigo é, além de limpar o local diariamente, usar produtos específicos para combater a praga e, em caso de suspeita de contaminação, não fornecer o alimento aos animais."


Toda atenção aos sintomas

Em rebanhos bovinos, o consumo de ração contaminada por micotoxinas pode provocar desde quadros de perda de apetite até a morte do animal, diz o veterinário Raphael Gomes. "Daí a importância de evitar a umidade nos galpões, que favorece o surgimento de fungos."


Os sintomas, conforme Gomes, são facilmente notados. "Se o rebanho é leiteiro, a produção de leite cai e, em caso de gado de corte, os animais passam a perder peso, em vez de engordar."


Normalmente, afirma o veterinário, assim como acontece em casos de leptospirose, os problemas causados por ração contaminada por micotoxinas estão ligados ao sistema reprodutivo do animal. "É comum haver abortos, casos de retenção de placenta e infecções uterinas. Se o nível de comprometimento do sistema reprodutivo for extremo, o animal morre."


Além disso, sintomas como tremores de membros, sinais de prostração e danos neurológicos também podem ocorrer, conforme o nível de contaminação do alimento.


Outro risco é haver contaminação por micotoxinas do leite e da carne de animais que consumiram ração deteriorada. "A dica é observar os sintomas e consultar um veterinário", conclui Gomes.


Grande produtor armazena em silos

Grandes produtores já estão utilizando silos próprios para armazenar ração, conta o veterinário Raphael Gomes. "Grandes produtores de leite, por exemplo, que compram quantidades maiores de ração a granel, estão fazendo isso e têm gostado dos resultados", diz o veterinário, "pois a estrutura do silo já tem controle próprio de temperatura e de umidade, o que dá mais segurança e independência aos produtores na hora de fazer a manutenção da armazenagem." De acordo com Gomes, silos com capacidade de armazenamento de 16 toneladas já estão sendo utilizados para guardar somente ração. "Essa prática também facilita o manejo, já que o produtor retira apenas o volume de ração que será consumido." Outra vantagem do sistema a granel é o custo mais baixo. "O custo é menor que o da ração ensacada, porque não há despesas com sacaria e nem com mão-de-obra para o transporte, já que o caminhão-silo despeja a ração diretamente no silo. Fica até 5% mais barato."

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cuidados-ao-armazenar-racao,329511

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